segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Análise – Jotun

A mitologia Nórdica é incrivelmente rica e suas histórias e personagens influenciaram e continuam influenciando uma grande variedade de narrativas artísticas, incluindo as dos videogames. “Jotun” é um dos jogos que utilizam esse cenário mitológico como plano de fundo, e poderia ser só mais um game que pega carona nos mitos nórdicos se não fosse todo o cuidado que a equipe da Thunder Lotus Game teve em dar a “Jotun” uma estética única unindo-a a uma ótima jogabilidade.
Em “Jotun” é possível controlar Thora, uma guerreira viking que possui esse nome em homenagem ao deus Thor. Thora sofreu uma morte sem glórias, sendo afogada pela deusa Ran, a governante do mar, enquanto navegava pelo oceano. Por tal motivo, ao invés de ir para Valhala, ela acaba parando em Ginnungagap um espaço vazio entre os nove reinos. Tendo agora de provar seu valor aos deuses, Thora precisa viajar entre diferentes terras atrás de runas e derrotar os Jotun, seres gigantescos e poderosos.
Essa trajetória solitária e a busca pelo descanso da heroína permearão todo o jogo. Por esse motivo, o jogador se encontrará muitas vezes em cenários enormes, mas sem outros personagens. Na verdade, Thora não interage com ninguém além de seus inimigos (na maioria os Jotun, os chefes), enquanto sua comunicação com os deuses ocorre apenas através da benção das estátuas de cada deus e os relatos do passado da personagem e descrições sobre os cenários são feitos por meio dos pensamentos da própria Thora, numa forma de exposição de informação ao jogador.
De início, os movimentos de Thora podem ser incômodos devido a sua limitação, já que só é possível efetuar duas formas de ataque e esquivar enquanto Thora anda pelos cenários com pouco velocidade. Porém, pouco tempo depois já é possível se acostumar com a jogabilidade que ainda incluí a possibilidade de se utilizar poderes dos deuses (o martelo de Thor, a cura de Frigg, o escudo de Heimdall), coletando um poder em cada cenário percorrido pela personagem como uma recompensa ao jogador pela exploração – as tais bençãos dos deuses citadas mais acima.
Todas as recompensas e elementos do jogo (que não incluem apenas os poderes dos deuses) são pautados em algum personagem ou história da mitologia nórdica. Isso vai desde itens que adicionam vida, como o fruto da deusa Idun, até os puzzles, como aquele que envolve a formação de constelações remetentes às lendas nórdicas. Esses elementos são importantes para proporcionar toda a imersão necessária para que jogador se sinta de fato naquele mundo mítico onde vivem deuses, gigantes e monstros dos mais variados tipos.
Entretanto, o grande atrativo de “Jotun” esta na animação de seus personagens e cenários, todos criados através de desenhos à mão. Se tal forma de animação anda escassa no cinema e vem sendo substituída cada vez mais pelo CGI na TV, encontra-la em um jogo de videogame parecia ser algo impossível, mas eis que algumas desenvolvedoras indies como a Thunder Lotus Game tem apostado nesse tipo de representação gráfica para a criação de seus jogos, sendo que no caso deste game o resultado é uma movimentação bem fluída de seus personagens em cenários estonteantes.
É uma pena, que, apesar dos grandes cenários e do próprio incentivo do game para que o jogador continue a explorar cada canto de um local, não hajam muitos elementos a serem descobertos sobre eles. No geral, cada local do jogo apresenta uma exploração bastante linear, sendo que encontrar coisas como as estátuas de um deus ou o fruto que aumenta a vida é algo que acontece automaticamente enquanto se anda pelo cenário, sem o desafio de ficar remexendo cada pedra que se encontra para ver se ela pode de repente revelar alguma coisa nova, tornando esse aspecto do jogo um pouco limitado demais.
Como já dito antes, os cenários não apresentam muitos inimigos, o que também faz com que o jogo não tenha muitas batalhas a não ser as contra os chefes (o que se assemelha um pouco a “Shadow of Colossus”), fato este que chega a ser até estranho considerando que se mantém o controle sobre uma viking, conhecida por suas inúmeras lutas e embates.
O lado positivo é que os confrontos contra os chefes são empolgantes e envolvem o jogador de tal forma que ele deve aprender a ser rápido, ter noção de todo o espaço que o envolve e se adaptar ao modo como esses chefes agem para conseguir não só atacar, como também se defender, já que os ataques inimigos podem vir de todas as direções e qualquer golpe pequeno de um chefe tira uma boa parcela da vida de Thora. Cada chefe é construído com bastante criatividade, de forma que mesmo que seus golpes se repitam durante uma luta, ele apresentam uma identidade própria na forma de atacar e, por vezes, surpreendendo o jogador com alguma variação de seus ataques. Junto dessas batalhas está uma ótima trilha sonora que as acompanha e transforma toda a ação em algo muito prazeroso.
O tempo de jogo não é muito longo, já que a falta de inimigos e de grandes desafios nos locais fazem com que seja rápido completar cada um de seus níveis, mas o belo trabalho gráfico e as ótimas batalhas contra o chefes dão a “Jotun” um caráter impar e o torna bastante atrativo.

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