A cada ano uma empresa dentro da Activision assume a responsabilidade de dar sequência a essa franquia anual, e com a difícil tarefa de conseguir excelentes números de venda na nova versão (difícil considerando que a crítica e os gamers irão tentar massacra-lo). Com Black Ops III não foi diferente.
Carregando o título que em si tem uma grande carga de fãs a Treyarch tentou se sobressair usando seu principal nome para tentar ganhar o mercado de 2015, e em termos de números, foi um sucesso. Black Ops III alcançou a marca de US$ 550 milhões de dólares nos três primeiros dias de seu lançamento sendo considerada a mídia de entretenimento mais vendida naquele período do ano (dados atualizados não encontrados), mostrando a força e o carinho dos fãs da saga.
Contudo, números não necessariamente indicam qualidade. Inúmeras mídias e fóruns no mundo gamer tem paginas gigantescas sobre o novo passo da franquia, iniciado em Advanced Warfare, e se esse novo rumo adotado realmente pode se tornar uma tendência: o futurismo. Esse sistema tem recebido diversas críticas, entre elas alegando falta de criatividade em criar algo novo, já que o mercado de shooters é muito saturado atualmente e essa seria uma opção para se livrar dos clichês de temáticas de Grandes Guerras ou coisas do tipo, presentes em diversas versões anteriores da saga e de seus concorrentes. Além disso, é impossível trabalhar jogos com temática futurista sem entrar na área de ficção científica, e esse gênero tem um número significativos tanto de admiradores, quanto de quem considera insuportável, e essa pequena variação pode ser a diferença entre uma review positiva, ou negativa dependendo simplesmente da opinião do avaliador.
Bem, como proceder nesse embate? Simples, se o jogo optou pela temática futurista, então ele deve ser avaliado de acordo com os elementos futuristas aplicados na categoria shooter. Em uma explicação mais breve, seria raciocianar se o que foi trabalhado no game em relação a essa temática ficou bem feito, balanceado, e com sentido. Quanto a isso, é seguro dizer que sim. A maioria dos elementos trabalhados expressam de uma maneira aceitável a noção de futurismo em relação aos elementos nos quais temos contato nos dias atuais… a maioria, mas não todos.
CAMPANHA
No modo campanha controlamos um(a) soldado, que logo no inicio se encontra em uma missão de infiltração cujo objetivo era salvar um refém de um determinado grupo de inimigos. Já nessa primeira missão podemos ver elementos futuristas, como o fato de alguns inimigos serem robôs de combate, e alguns aliados se apresentarem com um equipamento super tecnológico, que aparentava uma armadura que lhes dava super força e velocidade, no qual se demonstram muito eficientes, já que sozinhos conseguiam derrotar grande parte dos adversários. A missão foi cumprida, contudo, antes que pudesse escapar, nosso personagem é atacado brutalmente por um robô de guerra que literalmente destroça os braços e as pernas do(a) protagonista.
Logo depois, acordamos em uma sala de hospital e somos expostos a uma série de informações importantíssimas para o entendimento do mundo e das mecânicas do jogo. Taylor, personagem importante no desenvolvimento da narrativa, nos avisa que nossos membros foram substituídos por próteses robóticas totalmente funcionais, e que a partir de agora temos um chip no nosso cérebro chamado IND, o que nos deu uma série de atributos especiais.
O IND é uma tecnologia que tem diversas funções, como comunicação com outros usuários do chip, rastreamento, percepção de elementos favoráveis no campo de batalha (através de visores táticos que serão explicados posteriormente), hackear e controlar sistemas, compartilhamento de informações, e em situações extremas, o “roubo” de memórias de outros usuários, essas situações são consideradas extremas pelo fato de o usuário “roubado” morrer instantaneamente após o processo, em uma morte descrita como horrível.
Após toda a explicação somos designados para diversas missões em vários locais do mundo, sempre com um aliado chamado Hendricks, que também é importante para o desenvolvimento do enredo. A campanha se desenvolve de modo bastante lento, o que pode tornar o jogo enjoativo… dependendo da dificuldade escolhida. Há a possibilidade de jogar a campanha em coop, mas mesmo em dificuldades superiores, definitivamente diferente do que a crítica diz no geral, o game é muito desafiador. Há locais onde podemos nos encontrar presos por muito tempo sem conseguir avançar, isso porque apresenta vários inimigos fortemente armados e uma tolerância de dano muito baixa do nosso personagem, fazendo com que fiquemos tempo demais tentando avançar sem sucesso, estressando e desanimando o jogador. Em outra situação, o jogo ser bastante fácil na dificuldade normal o torna enjoativo. Ou seja, em ambos os casos relatados o desfoque ou desinteresse pelo decorrer do game pode ser notado, o que torna os jogadores relativamente mais intolerantes em relação ao enredo em si.
Além disso, como já citado anteriormente, a temática abordada não agrada a todos. Em aspectos de gameplay, contamos com uma série de vantagens em relação aos inimigos. Inicialmente, pelo fato do IND nos propiciar além da visão normal, outros dois tipos de visões: a estendida e a tática. A visão estendida é bastante simples, funciona como um sonar que aumenta a visibilidade em locais escuros ou com interferência visual (como névoa). Já a tática entra em uma área muito mais complexa.
Quando ativada, podemos deixar os inimigos avistados marcados, ter noção do tipo de inimigo que estamos enfrentando através de um cursor sobre suas cabeças (como snipers, robôs, entre outros), ter uma noção das áreas consideradas de perigo através de marcações criadas no chão, ter um arco demonstrando o trajeto de uma granada ao ser arremessada por nós, uma marcação do raio de explosão da granada inimiga, saber se um inimigo está prestes a atirar, entre outros. Obviamente, é bastante fora do comum e faz com que vários a detestem por acharem sem sentido. Contudo, ela não é obrigatória. Além disso é possível configura-la para fazer apenas algumas das ações citadas anteriormente, e não necessariamente usar todos esses benefícios, deixando o fato de usa-la ou não a critério do jogador. Tudo isso fora as outras habilidades do IND, no qual podemos escolher algumas em detrimento de outras, como controlar unidades robóticas inimigas, super velocidade por um determinado instante, entre outras. Tanto as habilidades quanto o equipamento usado nas missões são escolhidos previamente em uma base, onde temos um gameplay limitado apenas a andar lentamente, acessar servidores para selecionar missões, iniciar simulações de combate, e escolher o equipamento.
Em seu decorrer, a história se torna outro divisor de águas. A medida que se desenvolve, nos envolvemos em diversas situações de reviravoltas. No entanto, alguns aspectos se tornam previsíveis, com exceção do final. O final trabalhou uma mudança repentina nos rumos da história muito interessante, mas a reta final expõe um universo focado principalmente na ficção científica, de modo até fantasioso em alguns pontos, entretanto, dando as respostas de todos os questionamentos no decorrer do game. Todavia, ele pode ser interpretado como sem noção e fantasioso demais por aqueles que não curtem o tema.
Realmente, e infelizmente, a campanha não foi um dos pontos fortes de Black Ops III. Apesar de esperarmos algo no nível dos outros jogos da saga Black Ops, as expectativas não foram cumpridas. Em Black Ops II, fomos apresentados a um vilão carismático, inteligente, e muito marcante chamado Raul Menendez. Menendez rapidamente ganhou destaque, e foi eleito por fãs como um dos personagens mais interessantes da saga COD. Esperavamos que teríamos outro vilão com essas características, mas infelizmente isso não aconteceu. Curiosamente, Menendez é citado nas missões finais de Black Ops III como responsável por alguns acontecimentos, inclusive fundamentais na campanha, o que demonstra sua importância para o mundo de COD em si, mais especificamente para a saga Black Ops.
MULTIPLAYER
O multiplayer do game, felizmente, está mais dinâmico do que nunca. Contando com alguns elementos em comum com Advanced Warfare (como correr pela parede e a mochila a jato), somado com alguns outros detalhes próprios transformou o multiplayer em uma experiência extremamente satisfatória. Além do variado aresenal característico dos shooters atuais, agora, devemos escolher um “Especialista” para controlar. Especialistas são personagens pré definidos, que após determinado progresso nos trará alguma habilidade ou armamento especial temporariamente, como um lança chamas, uma minigun, ou a capacidade de gerar clones para confundir os inimigos, o que dá uma variedade maior de opções de jogo.
Os mapas são completamente novos, com exceção do clássico Nuketown, que obteve bastante fama em Black Ops I, ganhou uma versão reformulada para Black Ops II, e agora também ganhou outra versão, dessa vez na nova geração. Mas a Activision foi esperta, e rapidamente anunciou que o mapa Hijacked, famoso em Black Ops II, terá sua versão em Black Ops III através de uma DLC paga. Todos os mapas são bem variados e trabalhados, e em alguns deles podemos até nadar em certos locais.
Outro ponto positivo foram as Séries de Pontuação. Pra quem não está acostumado com COD, Séries de Pontuação são ajudas adquiridas através de um certo desempenho no multiplayer. Essas ajudas tem sua importância gradualmente almentada de acordo com seu desempenho. Por exemplo, quando obtemos 500 pontos, temos a opção de chamar um UAV(em português VANT: veículo aéreo não tripulado) que somente demarca as posições dos inimigos no cenário. Agora, ao conseguirmos 1700 pontos podemos chamar a Mothership, que é uma nave controlada pelo jogador que voa sobre o cenário com fortes torretas acopladas, podendo eliminar facilmente os inimigos. Lembrando que quando morremos nossa pontuação zera, e que cada kill conta 100 pontos, tornando as Séries de Pontuações maiores desafiadoras.
Grande parte dessas séries foram adaptadas de Black Ops II, mas muito melhoradas, como o Hunter Killer, que em Black Ops II se tratava de um pequeno VANT lançado no ar, que ao achar um inimigo voava rapidamente até ele e se autodestroia, matando adversário. Contudo por não precisar da ação do jogador, a não ser para lançar o VANT, acabava sendo muito fácil eliminar inimigos com ele, provocando a fúria dos adversários, já que ao ser lançado, era praticamente confirmado que ele acertaria algum alvo. Sua versão de Black Ops III se chama Dart, no qual dessa vez controlamos o veículo remotamente e podemos lançar um dardo nos inimigos, tornando-o mais equilibrado
Muitos jogadores compram jogos desse gênero apenas pelo multiplayer. Quanto a isso, Black Ops III conseguiu criar um sistema bem divertido e interessante, se tornando assim o ponto mais forte do game.
ENGINE, GRÁFICOS E TRILHA SONORA
A teimosia da Activision parece não ter fim. Mesmo sendo criticada todo ano por utilizar o mesmo motor gráfico pelo 8º ano consecutivo, a empresa não investe em uma nova engine, diferenciando apenas em polimentos e pequenas modificações de uma versão para a outra. O resultado são gráficos nada surpreendentes para a nova geração, e alguns bugs eventuais inclusive parecidos com bugs das versões anteriores de COD.
Contudo, mesmo não sendo nada surpreendentes, os gráficos ainda são muito bonitos, com cenários vivos, coloridos e detalhados. As armas também estão bem trabalhadas, detalhadas, e passam uma boa impressão de realismo. A física do jogo, na medida em que pode ser avaliada (por se tratar de um game futurista) também é realista e os controles respondem bem. A trilha sonora é original, e não se demonstra marcante na maior parte do game, contudo quando apresentada é indiscutível sua alta qualidade. Os efeitos sonoros de armas, inimigos, robôs e veículos também é convincente e interessante.
ZOMBIES
Famoso nas antigas versões por ser muito divertido, o modo zombies não poderia faltar. Com seu sistema totalmente reformulado, agora podemos jogar em até 4 jogadores em split screen ou on-line. Cada jogador controla um personagem aleatoriamente, e todos têm um backgrownd em um pequeno vídeo introdutório, em que fala que todos os 4 fizeram algo de errado e foram amaldiçoados indo parar naquele local. Dessa vez, contamos apenas com um mapa, porém é muito grande, e com bastante portas que liberam novos locais no cenário.
O único modo de jogo disponível é o sobrevivência, no qual enfrentamos várias hordas de zumbis (e outros monstros como insetos gigantes) e temos que sobreviver pelo maior número de hordas possíveis. Alguns locais específicos do mapa só podem ser acessados com um sistema no qual viramos um monstro de vários tentáculos e usamos eles para acessar esses locais. O novo sistema de habilidades se chama Gumball, que trata-se de uma máquina que quando ativada libera algo similar a uma goma de mascar e que libera habilidades temporárias. A nova reformulação está muito bem feita, divertida, e é muito bem aceita pela comunidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No geral, Call of Duty: Black Ops III é uma experiência bastante interessante e divertida. Ao tentar inovar no modo campanha, gerou repercursões muito negativas por optar por um tema em que nem todos os jogadores, e principalmente os fãs se interessem, além de que é seguro afirmar que em algumas partes é enjoativa. O multiplayer está incrível, muito divertido e dinâmico com várias implementações e o modo Zombies totalmente reformulado trás uma experiência realmente boa de se jogar. Acompanhe mais análises, artigos e notícias do mundo gamer aqui na GCB Games.
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