terça-feira, 8 de março de 2016

Análise – Far Cry: Primal

Franquia que demorou a vir fazer parte do público mainstream, Far Cry só veio a se tornar um dos grandes nomes da cultura gamer com o lançamento de Far Cry 3 no final de 2012.
Dois anos depois – um intervalo de tempo até pequeno entre lançamentos da franquia até então – a Ubisoft lança Far Cry 4. Apesar de aclamado, o quarto game sofria a (justificável) crítica de ser familiar demais ao jogo anterior.
Agora, menos de dois anos após Far Cry 4, a Ubisoft já nos apresenta um novo game da franquia: Far Cry: Primal.
Será que Primal faz o suficiente para evitar a sensação de fatiga que a franquia tem lentamente começado a transmitir?

HISTÓRIA

Se passando em 10.000 BCE (Antes da Era Comum), durante o início do período mesolítico, Far Cry: Primal transpira no vale chamado de Oros, em algum lugar da Europa Central, onde inúmeras tribos lutam pela sobrevivência em um mundo assolado pelos mais selvagens animais e as mais violentas guerras tribais.
Takkar (Elias Toufexis) é um integrante da tribo Wenja que se encontra perdido em Oros, desprovido de qualquer arma ou proteção após ser emboscado por uma tribo rival. Usando suas habilidades de sobrevivência e um surpreendente talento em domar feras selvagens, o protagonista planeja subir ao poder e reconstituir a grandiosidade que sua tribo um dia foi.
Não é todo dia que temos a oportunidade de ver um jogo que se passa na Idade da Pedra – muito menos um que tem como foco o retrato de seres humanos em tal época.
Adotando um idioma criado especificamente para o game (props para a Ubisoft), acompanhamos Takkar à medida que este se relaciona com as mais variadas personalidades da tribo Wenja ao longo de Primal naquela que consiste a linha narrativa principal da história.
Lamentavelmente, ao longo da jornada não somos introduzidos a personagens que sejam necessariamente marcantes. Apesar do roteiro fazer um bom trabalho em isolar certas personas da tribo e seus costumes, não há um único indivíduo que consiga a proeza de se destacar na história, nem mesmo o protagonista Takkar ou o vilão Ull (que em nada se equivale aos fantásticos Vaas de Far Cry 3 Pagan Min da continuação).
No final das contas, a história de Far Cry: Primal aparenta ser praticamente um mero pano de fundo para as missões do jogo.

JOGABILIDADE

Apesar de trazer uma perspectiva em 1ª pessoa, devido à época e ambientação do jogo, Far Cry: Primal obviamente não conta com os atributos comuns de um first-person-shooter.
Foram-se as metralhadoras, pistolas e espingardas de Far Cry 4 – Primal dá lugar a um arsenal consistente de arcos e flechas, clavas, machadinhas, estilingues, lanças e afins.
Apesar de não ser um arsenal incrivelmente variado (compreensível considerando a ambientação), o game compensa na evolução de tais itens. Desde o aprimoramento no uso de recursos até a construção de armas mais complexas como um arco e flecha duplo, o jogo faz um ótimo trabalho em encorajar o jogador a evoluir o protagonista e seus atributos.
Da mesma forma, as mecânicas de jogo também fazem um excelente serviço em passar a urgência de sobrevivência naquele mundo – seja na manutenção da coleta de recursos, seja no combate momento-a-momento com outros seres humanos ou animais selvagens.
A habilidade de Takkar de dominar feras também adiciona uma camada interessante a jogabilidade. Uma vez domados, tais animais viram uma espécie de companheiros para o jogador, atacando ao comando deste ou defendendo nos momentos de combate.
Ainda que não possua o mais inovador dos designs para as missões (a grande maioria consiste na captura de postes inimigos ou algo similar), Far Cry: Primal continua com o satisfatório modelo da série (ou de games da Ubisoft como um geral) de “riscar caixinhas de objetivo”. Assim, o jogo constantemente consegue transmitir a sensação de progresso ao jogador, empenhando este a conquistar mais e mais territórios pelo extenso mundo aberto de Oros.

APRESENTAÇÃO

Fazendo um trabalho primoroso em construção de atmosfera e ambientação, a Ubisoft conseguiu criar em Oros um mundo notavelmente fiel à selvageria que Primal possui em seu centro narrativo.
Não faltam belíssimas vistas ao longe, assim como impressionantes locações de perto. Desde grandes árvores até uma vegetação riquíssima em detalhes pelo chão, Oros é um lugar que, ao mesmo em tempo que transmite a sensação de perigo iminente, passa a beleza de um período em que a natureza era a presença dominante em todos os cantos.
As animações faciais dos personagens também são um atrativo a parte, e durante as cutscenes a qualidade expressiva exibida por estes é impressionante – seja em reações de alegria, raiva ou tristeza.
Rodando de forma virtuosa nos consoles (e também no PC), a taxa de quadros por segundo do jogo se mantém impressionantemente estável a todo momento – não importa o quão detalhado o ambiente no qual o jogador estiver for, a framerate se mantém nos sólidos 30 fps sem ceder.

CONCLUSÃO

Far Cry: Primal não é um jogo que necessariamente extrapola naquilo que propõe. Com mecânicas e um design familiar para quem já conhece a franquia, o game não traz o maior dos frescores para a série da Ubisoft.
Apesar disso, com um trabalho atencioso na construção de sua adversa ambientação e um ciclo de jogo que, com eficácia, compele o avanço por parte do jogador, Primal não deixa também de ser uma experiência particularmente divertida.
De qualquer maneira, é preciso certo reconhecimento à Ubisoft por arriscar em uma temática não só incomum a uma série já estabelecida como Far Cry, mas também aos games como um todo.

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