quarta-feira, 4 de maio de 2016

Análise – Dark Souls lll

Franquia que dispensa introduções, Dark Souls conquistou uma vasta gama de jogadores ao longo de suas duas iterações anteriores (Dark Souls Dark Souls ll), precursores (Demon´s Souls) e “sequências de essência” (Bloodborne).
Dark Souls 3, no entanto, promete ser o jogo final da série principal de mesmo nome (pelo menos por agora). Não só isso, mas seu criador e diretor principal, Hidetaka Miyazaki, volta a cadeira de direção (depois de se ausentar durante a produção do segundo jogo) em uma obra que se certifica de prestar homenagem aos padrões e virtudes dos jogos que vieram anteriormente.
HISTÓRIA
No reino de Lothric, um indivíduo denominado de “Ashen One” (“aquele das cinzas”) é encarregado por uma misteriosa mulher conhecida como a “Mantedora do Fogo” de impedir um vindouro apocalipse trazido pelos conflitos entre o fogo e a escuridão. Para isso, tal indivíduo (o jogador) deve reestabelecer a ligação daquela que é denominada de “A Primeira Chama” – para conseguir tal feito, porém, o protagonista deve derrotar e absorver os poderes dos últimos cinco “Senhores da Cinza” – entidades uma vez consideradas heroicas, mas que sucumbiram a insanidade devido ao queimar da Chama.
Assim como Demon´s SoulsDark Souls l e ll e BloodborneDark Souls 3 mantém uma essência narrativa propositalmente abstrata.
Sem se preocupar em estabelecer personalidades ou mesmo uma história que se desenrole de maneira linear, o jogo possuí uma trama que se limita quase que exclusivamente ao lore daquele universo. Neste quesito, Dark Souls 3 funciona de maneira tão competente quanto seus colegas de série, estabelecendo um mundo sombrio e efetivamente intimidante para o decorrer da experiência, com criaturas e figuras que se encaixam de maneira apropriada no âmbito de Dark Souls.
Se você procura uma história cativante e que lhe prenda a atenção, porém, Dark Souls lll não é a melhor das escolhas, considerando a natureza altamente subjetiva de sua narrativa.
JOGABILIDADE
Seguindo a mesma linha de design da série, Dark Souls lll não faz muito para se diferenciar de forma evidente do primeiro e do segundo jogo da franquia.
O game continua um RPG em sua estrutura central, com duas formas essencialmente distintas de se jogar – combate físico ou mágico – com uma imensa diversidade de habilidades para se evoluir. O estilo de se jogar acaba variando extensamente de acordo com quais atributos o jogador decidir investir – prova de uma técnica de design inegavelmente inteligente da From Software.
Em termos de arsenal, depois de Bloodborne (que incentivava uma aproximação ofensiva), Dark Souls lll volta a exigir o uso de escudos e afins para estratégias embasadas na priorização da defesa. O jogo ainda conta com uma enorme gama de armas e equipamentos para o uso à escolha (ainda que, pessoalmente, tenha a tendência de sempre usar a mesma arma do início ao fim do game – evoluindo-a de acordo), o que também contribui para a incorporação de estilos diferentes de jogabilidade de acordo com cada tipo de jogador.
Vale apontar, no entanto, que Dark Souls lll tem claras influências de Bloodborne em termos de fluidez no combate. Apesar de não ser tão visceral ou acelerado como aquele do exclusivo do PS4, o jogo possui um ritmo relativamente mais acelerado do que aquele visto em Dark Souls l e ll – o que, honestamente, é mais que bem-vindo à franquia.
Com uma filosofia de design que atribui tanta relevância ao descobrimento de checkpoints e atalhos quanto ao combate momento-a-momento ou a evolução de habilidades, Dark Souls 3 é uma obra que encoraja a exploração de forma incessante – e considerando o formidável talento da From Software em conceber áreas e lugares que se mesclam de forma surpreendentemente orgânica, é sempre um prazer sair a procura de novos caminhos ao longo do jogo.
Os famosos bosses/chefões obviamente também são um dos chamarizes de Dark Souls 3, sendo que o jogo apresenta alguns daqueles que podem ser considerados os melhores e mais interessantes confrontos de toda a série Souls. Em sua maioria bastante desafiadores, os embates com tais figuras muitas vezes servem de forma apropriada como culminações dos desafios apresentados até ali – e depois de consecutivas derrotas, a vitória sobre um destes pode ser facilmente uma das sensações mais revigorantes que você pode experimentar.
Mantendo a linha e essência de dificuldade central das obras de Miyazaki, Dark Souls 3 é um jogo que, apesar de lhe punir sem o menor receio de frustação, recompensa com as mais louváveis das vitórias – criando um ciclo de jogabilidade que não se distancia muito do masoquismo literal.
APRESENTAÇÃO
Usando o mesmo motor gráfico dos jogos anteriores, Dark Souls 3 é um jogo que mantém a qualidade visual de seus predecessores – porém sem se destacar muito como um todo.
Rodando de forma suave nos consoles e no PC, em termos de estabilidade o jogo raramente tropeça, com a experiência decorrendo lisa durante a maior do tempo.
No entanto, em termos de apreço visual artístico, Dark Souls lll claramente empalidece diante de Bloodborne (por mais que a influência visual de Bloodborne também seja explícita aqui). Se o último jogo de Miyazaki contava com uma direção de arte absolutamente fenomenal, com um estilo arquitetônico advindo de naturezas góticas e vitorianas e um mundo que transpirava o macabro lovecraftniano, o mesmo não pode ser dito sobre Dark Souls lll.
Não que o jogo não possua uma identidade visual interessante ou coerente – porque possui – mas infelizmente não se afasta tanto da direção medieval que estamos acostumados a ver.
Dito isso, algumas ambientações em especial, de fato, se destacam das demais – e gosto particularmente do lugar no qual a sessão final do jogo transcorre.
A trilha-sonora deste terceiro jogo, porém, é provavelmente o pináculo musical da série. Composta por Yuka Kitamura (responsável pelas trilhas de Bloodborne Dark Souls 2), o jogo consegue impressionar constantemente na qualidade das escolhas para cada momento – a dica sonora que uma música pode trazer durante um chefão, por exemplo, consegue injetar no jogador a elevação de urgência da situação, assim como ressalta o senso escala e grandeza dos confrontos. Kitamura também obtém sucesso nas faixas mais calmas, trazendo um ar de melancolia e tristeza que, com proeza, define o tom do universo do game.
CONCLUSÃO
Dark Souls lll não tem o benefício de estar matando a sede dos jogadores pela franquia, considerando que tivemos jogos da série ou afiliados pelos três últimos anos seguidos.
Ainda que não tenha o nível de excelência mecânica ou visual que Bloodborne (o mais recente da franquia) apresentava, o game não deixa de ser uma obra particularmente memorável.
Com um nível corajoso de dificuldade intrínseco em seu design que nenhum outro tipo de jogo na indústria arrisca tentar, Dark Souls lll pode até ser uma experiência árdua em sua extensão, mas a recompensa que lhe acompanha, é no mínimo, tão significativa quanto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Game Center Brasil agradece seu comentário.