Por: Luigi Wagner
É estranho pensar que os plataformers já foram um dia o mais popular dos gêneros nos videogames.
Super Mario 64, Crash Bandicoot, Jak and Daxter… Entre os grandes sucessos do final da década de 90 e o início do milênio, os maiores destaques eram sempre algum plataformer nas veias de um universo infantil.
Ratchet and Clank (2002) foi indubitavelmente um dos grandes nomes dessa era de glória do gênero. Nos apresentando a dois personagens adoráveis que lutavam pela segurança da galáxia, as aventuras de Ratchet e seu companheiro robô vieram a conquistar uma imensidão de fãs ao longo de suas mais de nove iterações – com seus pontos altos (A Crack in Time) e baixos (All 4 One).
Eis que agora, quatorze anos após o lançamento do primeiro jogo e um filme em vista, a Insomniac Games lança aquele que é um remake completo do game original – dito como “o jogo baseado no filme baseado no jogo”.
A diferença é que o frenesi pelos plataformers já não é mais algo tão presente na cultura gamer com era em 2002 – o que faz deste novo Ratchet and Clank algo “a parte” no panorama atual que acompanhamos dos games.
HISTÓRIA
No planeta de Veldin, o jovem Ratchet, trabalhando como assistente mecânico de seu pai adotivo Grim, sonha em fazer parte do icônico grupo de defensores da Galáxia chamado “The Galatic Rangers” e comandado pelo lendário (e egocêntrico) capitão Qwark.
Depois de ser rejeitado pelo próprio Qwark, Ratchet volta a sua vida mundana em Veldin – até que um dia um aglomerado de destroços cai ali contendo um robô que ele vem a chamar de Clank. Clank contém em si várias e perigosas informações a respeito dos planos de destruição da galáxia pelo infame Alonzo Drek.
A partir daí nossos protagonistas unem forças para, sozinhos ou em conjunto com os Galatic Rangers, impedirem que os planos de Drek se concretizem.
Apresentando uma história que toma como base o jogo original e o filme inspirado no mesmo, Ratchet and Clank apresenta uma boa dose de charme diretamente devido a seus personagens principais.
Ratchet é um protagonista que apresenta uma simpatia natural (ainda que não vá além disso) e uma personalidade inspirada, à medida que Clank complementa como o lado racional e objetivo da relação. Enquanto isso, Qwark se mostra como aquela que é provavelmente a figura mais engraçada do jogo – com seu fascínio sobre si mesmo e egocentrismo absurdo, o comandante é muitas vezes o motivo da risada ao longo de Ratchet and Clank, reforçando aquele que já é um roteiro naturalmente engraçado.
Apesar de acertar no senso de humor, a história que é costurada ao fundo não tem o mesmo brilho, e assim, a trama não faz o menor esforço para se afastar do genérico “heróis salvando a galáxia”.
Dito isso, Ratchet, Clank e Qwark ao menos servem como pontes divertidas para lhe interessar com o que decorre na tela durante a história.
JOGABILIDADE
Estruturalmente Ratchet and Clank não se afasta muito de seus predecessores.
Na formatação de um third person shooter com sessões de plataforming, o jogo consegue manter uma boa variedade ao interpor uma diversidade de atividades ao longo de sua campanha, dificilmente existindo o sentimento de fatiga de alguma sessão específica.
Não só isso, mas todas as partes de tais mecânicas funcionam de forma esplêndida. Seja movimentando Ratchet pelo cenário, atirando, pulando ou voando com uma mochila a jato, os componentes da jogabilidade de Ratchet and Clank funcionam extremamente bem.
Como qualquer outro jogo da série, o game também conta com um grande e divertido arsenal de armas. Reapresentando alguns clássicos lança-misseis e armas de laser, o jogo também aproveita para introduzir algumas novas adições – sendo uma delas uma arma que transforma os inimigos em figuras 8-bit (minha favorita na franquia até hoje, com direito ao som e tudo mais) e outra que coloca estes para dançar como forma de distração (também divertidíssima).
Sem quebrar barreiras, Ratchet and Clank obtém sucesso em basicamente todas as frentes de sua jogabilidade, mostrando que o gênero ao qual pertence ainda tem muito mais vida no cenário atual dos videogames do que poderíamos imaginar.
APRESENTAÇÃO
Belíssimo, Ratchet and Clank é o mais próximo que já vimos até hoje em termos de um game emular a qualidade visual de uma produção da Pixar.
Com ambientações fantásticas e extravagância de cores, o jogo transborda a diversão visual que estamos acostumados a ver em animações do tipo. Pequenos detalhes como a orelha de Ratchet balançando enquanto este se movimenta, assim como os pelos presentes nestas, até as grandes explosões amparadas por impressionantes efeitos de partículas, o game nunca falha a surpreender em sua apresentação gráfica.
É uma pena então que a Insomniac tenha optado por intercalar as cutscenes do jogo com segmentos diretamente retirados do filme. Apesar do jogo permanecer bonito durante a jogabilidade e suas cutscenes in-game, querendo ou não, estas ainda acabam empalidecendo diante das animações do filme. E no final das contas, tais trechos da adaptação cinematográfica poderiam ter sido facilmente removidos, não fosse a “necessidade” de promove-la.
Dito isso, sob efeito de comparação ou não, é inegável: Ratchet and Clank é um jogo deslumbrante, e sem dúvidas um dos jogos mais bonitos do PS4 até hoje.
CONCLUSÃO
Apesar de não necessariamente inovar no campo que atua, Ratchet and Clank prova que em pleno 2016 um plataformer pode ser facilmente uma das experiências mais divertidas de se jogar quando feito da forma certa.
Trazendo de volta seu elenco divertido de personagens, este remake demonstra que Ratchet, Clank e companhia ainda tem muita energia a injetar no mundo dos jogos com pegadas mais infantis (ou mesmo para todas as idades).
Que o resto da indústria perceba a relevância que games do gênero ainda podem ter para o cenário contemporâneo.
Crash, estamos à sua espera.
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